quarta-feira, janeiro 23, 2008

Estudantes lutam contra reforma universitária na França


O presidente francês Nicolas Sarkozy quer implantar a chamada Lei Pécresse (nome da ministra da Educação), que modifica a estrutura do ensino superior para impedir o acesso aos jovens mais pobres e estimular um maior ingresso do capital na educação pública, ferindo a autonomia das universidades.
As mobilizações estudantis contra essa falsa reforma universitária tiveram início ainda na primeira semana de governo de Sarkozy, em maio deste ano, quando o presidente anunciou seu projeto para a educação superior que, entre outros itens, propõe introduzir critérios de seleção para distribuir os estudantes de acordo com as necessidades do mercado e não segundo sua opção individual, além de aumentar o valor da taxa de inscrição.
O governo, então, segurou a apresentação oficial do projeto até o mês de agosto, quando conseguiu, de uma só vez, aprová-lo no Parlamento. Agora, os estudantes já ocupam os prédios de 26 das 85 universidades existentes na França, algumas delas com as atividades totalmente paralisadas, em repúdio ao objetivo do projeto e à forma autoritária com que foi aprovado, sem qualquer debate dentro do meio acadêmico. “É a escravização das universidades aos interesses das empresas”, disse Igor Zamichiei, secretário nacional da União de Estudantes Comunistas. As entidades estudantis afirmam ainda que a lei não leva em conta a pobreza dos estudantes e que vai criar um sistema dividido, preocupado em financiar umas poucas instituições de elite.
No dia 22 de novembro, estudantes de 56 universidades participaram, em todo o país, de uma jornada de greves e manifestações. “Juntos, tudo é possível!” e “Cultura de graça, educação pública!” são algumas das bandeiras levantadas pelo movimento. O governo teme que os protestos se espalhem ainda mais e se consolidem com a união entre estudantes e trabalhadores, que também estão em luta contra a reforma da Previdência, tendo, inclusive, realizado uma grande greve nacional.
A juventude francesa já mostrou do que é capaz quando, durante vários meses em 2006, enfrentou e barrou com milhões de pessoas nas ruas o nefasto Contrato do Primeiro Emprego, do então primeiro-ministro Dominique de Villepin, que impunha aos jovens iniciantes no mercado de trabalho uma série de restrições aos direitos trabalhistas.
Extraído da redação do Jornal A Verdade

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